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Tu és eternamente responsável pelo Lobo que cativas

Eu penso, eu sinto, eu Uivoooooo... e minh'alma vaga na imensidão do céu estrelado...

Tu és eternamente responsável pelo Lobo que cativas

Eu penso, eu sinto, eu Uivoooooo... e minh'alma vaga na imensidão do céu estrelado...

Virou estrela... Está mais perto de Deus

por Keila, a Loba, em 03.11.14

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"A pior das dores é aquela que não tem sentido", que não é possível de ser explicada, mas é apenas sentida, já diziam os grandes sábios e filósofos da humanidade. Me refiro à morte no post de hoje.

Dia 15/10/2014 meu irmão Átila, 56 anos, uma pessoa que viveu bem pouco a vida, morreu de graves problemas no coração. Antes de sua partida, ele parecida querer nos dizer que havia arrumado a mala para essa viagem, pois se queixava de mal estar, dores, inquietações com a vida, dúvidas e incertezas quanto ao presente e futuro, diálogos tão comuns quanto aquelas conversas ouvidas e partilhadas com qualquer colega de trabalho que nos compartilha as rotinas pesadas dos dias. Mas meu irmão mostrava uma incontida urgência de paz e acalanto nos olhos, uma tristeza que tomava conta não só das palavras, mas também dos gestos. Depois que as queixas eram postas como elementos centrais da conversa, um silêncio mortificante tomava conta do ambiente. Quem, em pleno vigor da vida, haveria de manifestar tão pouco interesse em contar seus sonhos de amanhã?

Para os que não tem pais vivos, como eu e meus irmãos, perder mais alguém deveria fazer parte do "cerimonial das pessoas ausentes" que responderia as lacunas no dia das mães, dos país, aniversário, natal, ano novo, e em todos os encontros da família em que a ausência física é notada, percebida e lembrada. Mas se a gente não consegue se acostumar com a morte, como se acostumar com a perda? Ocorre que, nesse espaço familiar, onde a perda de alguém querido é sofrido, morte e perda, embora juntinhas, correm separadas. Engraçado pensar assim. Perder parece conjugar o verbo de quem poderá ser encontrado qualquer dia, qualquer hora; mas morrer é ir e não voltar. 

Nesse dia 02/11/2014, dia dos finados, pela primeira vez oramos pelo Átila como alguém que recebe as orações, mas não está entre nós. É estranho... Embora a morte seja esperada, certeira, e até certo ponto comum, quem se acostuma com ela deveria ser mais leve no acerto dos passos da vida, mas não tenho certeza disso. Ou quem não aceita a morte deveria sofrer bem mais por ve-la transitar o tempo inteiro ao nosso lado. Mas também não há garantias de que vida e morte ocupam espaços absolutamente determinados na prática e no coração.

Minha urgência em falar essas coisas se deve à saudade.... Ah! essa saudade danada, que aperta o meu coração e me faz chorar! Será que os mortos sentem alguma coisa das coisas dessa vida? Tenho certeza, porém, de que os vivos não sabem nada da morte, e talvez seja melhor assim. Esses pensamentos não inibem a saudade, a vontade de beijar, de abraçar e de ver meus pais e meu irmão, e por isso compartilho esses sentimentos a quem interessar, a quem sentir maior ou menor, não importa. 

 

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